
O ex-ministro da Educação, senador Camilo Santana (PT-CE), afirmou não ser contra facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) serem enquadradas como organizações terroristas.
A posição que diverge da adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a decisão do governo dos Estados Unidos sobre a classificação das organizações criminosas.
"O PCC e o Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro. O que houver de pior para classificar esse pessoal, tem que classificar", disse ao portal Metrópoles nesta quinta-feira, 11.
Segundo Camilo, ele próprio manifestou ao presidente Lula discordância em relação às críticas feitas pelo governo brasileiro à medida anunciada pelas autoridades americanas. O ex-ministro também avaliou que os Estados Unidos podem contribuir com a proposta de cooperação internacional de Lula para o enfrentamento ao crime organizado.
"Não podemos usar esse tema da segurança para fazer politicagem, como é feito lá no Ceará todos os dias pelo nosso adversário. É um desafio que precisa estar acima de qualquer questão partidária ou política", afirmou, referindo-se de forma indireta a Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Estado.
A classificação das facções como organizações terroristas tem sido defendida por lideranças da direita, entre elas o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Antes do anúncio oficial da medida pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ele visitou o presidente Donald Trump na Casa Branca e afirmou ter solicitado a adoção da classificação.