
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre a possível relação entre o uso de canetas emagrecedoras com o aumento recente nas notificações de casos de pancreatite. Diante do caso, o Diario de Pernambuco buscou entender os riscos com a endocrinologista Lúcia Cordeiro, professora de endocrinologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia em Pernambuco (SBEM-PE).
O comunicado, divulgado nesta segunda-feira (9), aponta um aumento recente nas notificações de casos de pancreatite associados ao uso de fármacos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro, amplamente popularizados nos últimos anos, inclusive para emagrecimento rápido e fins estéticos.
Segundo a Anvisa, estão sob investigação no Brasil seis mortes por pancreatite possivelmente associadas ao uso desses medicamentos. Além disso, mais de 200 casos de problemas no pâncreas registrados durante o uso das canetas estão sendo analisados. O alerta abrange todos os medicamentos que contenham semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida, o que inclui todas as canetas atualmente registradas no país.
Para a diretora da SBEM-PE, o alerta precisa ser compreendido dentro do contexto da farmacovigilância e não deve gerar pânico ou abandono indiscriminado do tratamento.
“No entanto, não dá para afirmar que exista uma relação direta com a medicação. Porque a população estudada é formada, em grande parte, por pessoas com diabetes e obesidade, e essas duas condições, por si só, já estão associadas a um risco maior de pancreatite. Então não é possível dizer, de forma categórica, que a causa seja a medicação.”
A preocupação ganhou força após um alerta semelhante emitido no Reino Unido, onde a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) investiga 19 mortes associadas ao uso desses medicamentos. Os casos são considerados raros e incomuns, mas envolveram quadros graves, como pancreatite necrosante e fatal.
Embora a pancreatite já esteja descrita como possível reação adversa nas bulas desses medicamentos no Brasil, a Anvisa afirma que houve um crescimento recente nas notificações, o que motivou o reforço das orientações.
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